O CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro — com sede em Alcanena (distrito de Santarém) — é uma instituição de referência para o setor do couro e curtumes em Portugal. Desde a sua criação que o CTIC tem desempenhado um papel essencial na modernização, inovação e certificação da indústria do couro, contribuindo para elevar os padrões de qualidade, competitividade e sustentabilidade das empresas associadas. Neste artigo vamos explorar a sua história, missão, áreas de intervenção, impacto no setor e a sua importância para o futuro da indústria.

A história e a génese do CTIC

A história do setor dos curtumes em Portugal, especialmente a partir dos anos 80, caracterizou-se por um crescimento significativo — em grande parte impulsionado pela forte procura da indústria do calçado, que absorvia cerca de 90% da produção de peles.

No entanto, esse crescimento trouxe novos desafios: a globalização dos mercados, concorrência internacional, exigências crescentes de qualidade, inovação e normas ambientais. Foi nesse contexto que, em 1992, surgiu a iniciativa de criar um organismo que pudesse apoiar tecnicamente as empresas de curtumes: assim nasceu o CTIC, fruto da colaboração entre empresários do setor, o Estado (através do IAPMEI e do INETI) e várias curtumes.

A construção das instalações do CTIC começou em abril de 1993 e, depois de equipadas e adaptadas, o Centro foi oficialmente inaugurado a 7 de junho de 1994. Nos anos seguintes, o CTIC consolidou-se como um polo de tecnologia, inovação e serviço para o setor do couro, através da acreditação dos seus laboratórios e do alargamento das suas atividades.

Com o tempo, alargou o número dos seus associados e, hoje, o CTIC representa uma parte muito significativa da indústria portuguesa de curtumes, congregando dezenas de empresas associadas — muitas delas responsáveis por uma fatia relevante da produção nacional.

Missão, estrutura e áreas de intervenção

O CTIC foi criado com o objetivo de responder aos desafios tecnológicos, de qualidade e ambientais do setor do couro. A sua missão evoluiu ao longo dos anos, e atualmente abrange um conjunto alargado de funções — desde a I&D à certificação, passando pela formação e pela normalização.

Estrutura física e recursos

O Centro está instalado em instalações modernas, com cerca de 1.800 m² num único piso — incluindo áreas administrativas, salas de formação, auditório, biblioteca, e laboratórios com equipamentos de ponta.

Dispõe de laboratórios acreditados pelo IPAC (Instituto Português de Acreditação), o que garante credibilidade aos ensaios e certificações realizados.

Áreas de atuação

O CTIC presta serviços e consultoria nas seguintes áreas principais:

  • Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (I&D): desenvolvimento de novos processos e materiais, adaptação de tecnologias emergentes, investigação de produto e valorização de subprodutos.

  • Sustentabilidade, Ambiente e Economia Circular: apoio na adoção de métodos mais ecológicos, tratamento de resíduos, eficiência energética e práticas amigas do ambiente.

  • Certificação e Sistemas de Gestão: implementação e certificação de normas como ISO 9001 (qualidade), ISO 14001 (ambiente), segurança e saúde no trabalho, segurança alimentar, entre outras.

  • Formação profissional: formação contínua para os recursos humanos das empresas, contribuindo para a produtividade e competitividade. O CTIC é reconhecido pela entidade nacional competente como formador.

  • Normalização técnica: desde 2006, o CTIC actua como Organismo de Normalização Setorial (ONS) para o setor dos curtumes, coordenando a definição, adaptação e atualização de normas nacionais e a sua harmonização com normas europeias e internacionais.

  • Consultoria e transferência de tecnologia: apoiar empresas — especialmente as de menor porte, que não dispõem de meios próprios de I&D — através da adaptação de soluções tecnológicas às suas necessidades específicas.

Além disso, o CTIC tem participações em redes e parcerias com outras entidades nacionais e internacionais, o que reforça o seu papel no ecossistema tecnológico e na inovação.

Inovação, sustentabilidade e adaptação às exigências modernas

Um dos grandes diferenciais do CTIC no panorama nacional é a sua aposta em inovação e sustentabilidade. Com as crescentes exigências ambientais globais e a transição para uma economia mais circular, o setor do couro enfrentava desafios de ordem técnica, regulatória e de mercado. Aqui, o CTIC assume um papel catalisador.

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Sustentabilidade e economia circular

Por um lado, o CTIC incentiva práticas ecológicas na produção de couro e curtumes, promovendo metodologias de tratamento de resíduos, redução de emissões e reaproveitamento de subprodutos.

Além disso, o CTIC participou em iniciativas que visam demonstrar o potencial do couro como material natural e sustentável — por exemplo, foi signatário do Manifesto do Couro para a COP26, onde se defende a utilização de matérias-primas naturais, biodegradáveis e de baixo impacto ambiental, em linha com os objetivos da economia circular.

Também projetos de inovação tecnológica, como o BeNature, promovido pelo CTIC, procuram produzir artigos de pele 100% biodegradável em poucos dias, reduzindo o desperdício e minimizando o impacto ambiental do setor.

Competitividade e adaptação à Indústria 4.0

Como o mercado global exige cada vez mais qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e inovação, o CTIC oferece apoio técnico para que as empresas do setor enfrentem essa pressão. Isso inclui a adoção de tecnologias modernas, automação, controlo de qualidade, certificações e melhores práticas de produção.

Com isto, o couro produzido em Portugal pode competir além das fronteiras, mantendo elevados padrões de qualidade e cumprindo exigências ambientais e normativas internacionais — algo essencial em mercados de calçado, marroquinaria, moda e outros.

Impacto no setor e importância para a indústria portuguesa

O papel do CTIC vai muito além de prestar serviços técnicos: tem uma função estratégica de coesão e sustentabilidade para todo o setor de curtumes em Portugal.

  • Permite que pequenas e médias empresas — muitas das quais não teriam capacidade própria de I&D — tenham acesso a tecnologias, laboratórios e know-how que lhes permitem inovar e melhorar produtos.

  • Contribui para a certificação e normalização da indústria, assegurando conformidade com normas nacionais e internacionais, o que facilita o acesso a mercados externos e melhora a reputação do “Made in Portugal”.

  • Ajuda na modernização industrial, eficiência energética, sustentabilidade ambiental e implementação de práticas de economia circular — temas cada vez mais valorizados em mercados globais e por consumidores conscientes.

  • Através da formação profissional, contribui para o capital humano do sector: trabalhadores mais capacitados, atualizados e capazes de lidar com tecnologias e padrões modernos.

  • Estimula inovação: como centro de investigação e tecnologia, desenvolve projetos de I&D, protótipos e novas metodologias, muitas vezes em parceria com entidades nacionais e internacionais, reforçando a competitividade do setor a médio e longo prazo.

Em resumo: o CTIC funciona como uma ponte entre tradição e modernidade, permitindo que um setor tradicional — a indústria do couro — continue relevante, sustentável e competitivo no século XXI.

Desafios e futuro — a importância contínua do CTIC

Apesar dos avanços, o setor do couro enfrenta ainda desafios: concorrência internacional, exigências cada vez maiores de sustentabilidade, inovação constante, adaptação a mercados em mudança e valorização ambiental.

Neste contexto, o papel do CTIC torna-se ainda mais crucial. A sua capacidade para acompanhar tendências tecnológicas, ambientais e normativas, e para apoiar empresas na transição para práticas mais modernas e sustentáveis, será decisiva para garantir a sobrevivência e o sucesso da indústria nacional de curtumes.

Projetos como o BeNature demonstram a aposta em soluções ecológicas e inovadoras. A participação em iniciativas ambientais globais — como o Manifesto do Couro para a COP26 — revela o compromisso do CTIC com a sustentabilidade e com a responsabilidade social.

Adicionalmente, a integração com outras entidades tecnológicas e de I&D parece ganhar força, abrindo portas para colaborações multidisciplinares e maior potencial de inovação.

Conclusão

O CTIC — Centro Tecnológico das Indústrias do Couro — é muito mais do que um laboratório ou um centro de certificação. É um pilar estruturante para a indústria portuguesa do couro, atuando como catalisador de inovação, qualidade, modernização e sustentabilidade.

Desde a sua fundação no início dos anos 90 até aos dias de hoje, o CTIC tem ajudado a transformar um setor tradicional num segmento contemporâneo, capaz de responder às exigências globais de mercado — tanto em termos de qualidade e competitividade, como em responsabilidade ambiental e inovação.

Para as empresas do setor, especialmente as pequenas e médias, o CTIC representa uma oportunidade para elevar padrões, adotar tecnologias modernas, garantir certificações, formar trabalhadores e adaptar-se às realidades de um mercado global complexo.

Para o futuro, o papel deste centro promete continuar essencial: com os desafios da economia circular, da sustentabilidade ambiental e da competitividade internacional, o CTIC assume-se como um guardião do legado da indústria do couro em Portugal — assegurando que tradição e modernidade caminhem juntas.

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